domingo, 30 de março de 2008

Memória

Porque a única coisa que queria era uma palhinha. Não queria saber dos sumos que se agitavam por dentro da máquina estranha que parecia saida de um estúpido filme antigo, não tinha sede sequer. Queria uma palhinha. Queria uma palhinha para espreitar por ela e ver o mundo muito maior. Queria uma palhinha porque sim e quase não houve quem fosse capaz de o perceber.

Para que raio se quer uma palhinha se não para beber o sumo? Parece ridicúla a pergunta... Não sei quem seria hoje sem o sumo que o homem magro que continua igual uma dúzia de anos depois me deu. Uma dúzia de anos passados e lá continua ele junto à praia atrás do balcão de madeira. Já não há máquina nem palhinhas nem gente sentada a ver o mar. Há o homem e o puto, agora uma dúzia de anos mais velho.

E no fundo, nada mudou assim tanto. Desta vez para nada queria o café amargo, só a cadeira do canto onde um dia me deram um sumo e um palhinha.

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