sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Haver

Como se tudo na vida fossem comboios movidos a vento...

Sem plano e sem vida. Sem hora nem rumo. Só a linha e o relógio de estação a marcar as horas no tic-tac do costume. O tic-tac que varia o ritmo consoante a pressa de quem corre e a serenidade de quem aguarda sem certeza nem medo.

É tão possível morrer debaixo de um relógio de estação. Deve ser pesado. Estás ali à espera e de repente caem-te as todas as horas em cima...

Mosquitos, árvores e chuva. Algodão doce também...

Mais uma rajada de vento e agora impera o avesso. O lugar nascido na rua sem gente. Porta pequena e a casa de sempre... A casa noutra cidade. Fotócopia surreal... Não muda sequer a mobilia, nem o caixote do lixo com o caroço de maçã apodrecido pelo esquecimento.

Dá para sorrir. Na rua dançam as bandeiras. É hora de partir outra vez.

1 comentário:

  1. "agora impera o avesso"

    [eu continuo "à espera do comboio na paragem do autocarro", não há nenhum relógio e eu não gosto de tics-tacs ao pé do pulso ou da cabeça. principalmente tiques. principalmente ao pé da cabeça. aqui as pessoas deitam os restos de maçã para o asfalto e dizem que é biodegradável. que não faz mal.já não são da mesma opinião em relação ao acto de partida. de partir. infelizmente só sei dizer disparates, mas gostei disto aqui, deve ser dos comboios. é raro vê-los passar]

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