sábado, 5 de julho de 2008

Arrasto

Uma tira de entremeada pode fazer toda a diferença quando se salta para um lago cheio de crocodilos.

Um passo ao lado da ovelha morta no meio da estrada também pode mudar a história. Tripas de fora, bombas dentro. É a vida, ou a morte... Afinal que mal pode fazer uma ovelha morta? E o pedaço de ferro redondo?

E as nódoas? Não são mais que manchas nas roupas.

("Cuidado, cuidado!!! Estão vidros no chão..."). Também estavam palavras no ar...

quinta-feira, 3 de julho de 2008

4+4=8

Azul
Núvem
Céu
Rio
Mar

Algodão
Mel
Sorriso
Rasto

Fundo
Salta
Cai
Foge
Roda
Gira
Volta

Vento
Varanda
Flores

Luz e frio, vozes e caras, passos lentos que se arrastam vagarosos pelo chão e a erosão dos passos lentos que se arrastam pelo chão a deixar rasto no trilho que se forma pelos mosaicos já meio amarelados por tantas vidas que os calcaram...

Os olhos não vêm, olham. O coração não sente, bate. Os corpos não vão, seguem. Os ouvidos não escutam, ouvem.

tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tic-tac, tit-tac, tic-tac, tic-tac, .......................................

Flight lesson #1: Have you ever seen a chicken flying? Chickens have wings...

E é tudo tão mais simples quando uma simples frase se apodera da mente... "Basta querer.". E acabam as distâncias e as agendas e as horas e o resto. Porque sim! E os comboios são nossos escravos mesmo que a viagem se faça em vão... Mas nunca é em vão. Resta sempre qualquer coisa, quanto mais não seja uma dúzia de olhos gritando a uma só voz a palavra que não mais abandonará o ser.

8X10=80

#21

Sem pressa, cai o sol no mar deixando para trás um rasto de mel. Deve ser doce o rasto do sol. É por isso que alguns julgam que as nuvens não são mais que algodão doce a flutuar no céu...

Pode lá ser isso possível, se o algodão...

sábado, 28 de junho de 2008

(...)


Pecados mil
Cem prazeres vãos
Tenho bolhas nos dedos
Tenho calos nas mãos é ele que me chama
Se o bem corre perigo
Ou eu acabo com este
Ou este acaba comigo
Não
Não
Não posso ser eu
Não
Não
Não me deixam ser eu
Mas então
Quem é que eu vou ser?
Quero uma última vontade antes de nascer!...
Quero ser pouco
Ou quero ser rouco
Ou um pedaço de merda
Quer ser um pouco de gente
Eu imploro
Quero ser igual…
Depois das lágrimas
Do arrependimento
Surge a raiva que a não leve o vento! Mas eu sei cantar
Da minha maneira
E pelo que eu creio
Canto a noite inteira Mas eu sou bom
Eu perdoo tudo
Por vontade deles
Eu seria mudo
Quero ser muito
Quero ser tudo
Estar só
É tudo o que eu quero
Agora…

Manel Cruz, "Eu"

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Rádio

É quente a tua mão, ainda mais que leve. E faz-me falta nos dias em que quase chove e nas noites sem sono e nas tardes de sol e nas viagens sem destino. Porque há canções simples que continuam a fazer-se ouvir. Porque sim!

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Janela


Porque a(s) vida(s) não tem(êm) que ser sempre cinzenta(s)...

terça-feira, 24 de junho de 2008

Morfina

Há quem se esvaia em sangue, há quem perca pedaços de si em dias que de bom pouco têm. Depois sobra o vazio e o espaço onde já ouve um bocado de perna e um pé.

E sobra tempo no branco. Paredes brancas, batas brancas, ideias em branco.

E se...?

Cordas

sábado, 21 de junho de 2008

Ouvi dizer

Ouvi dizer que para lá do azul do céu, por cima das núvens, mesmo ao lado da fábrica de impossíveis há um velhote que passa os dias sentados a matar o tempo. Uns pózinhos mágicos e as horas passam ao ritmo do algodão doce que vai tomando forma em volta do pau. Algodão doce, como os sorrisos. Ainda me lembro do tempo em que os sorrisos eram de algodão, do tempo em que trazias doces na mão... Ainda me lembro.

Ouvi dizer que lá longe as paredes são de vidro, como muitos dos tectos cá em baixo, e nos dias em que a luz do sol brilha forte demais, os vidros transformam-se em espelhos, espelhos daqueles que não há cá em baixo, espelhos onde se reflectem as almas abertas por um abraço bem quente.

Ouvi dizer que, depois, nos dias em que chove muidinho se fazem grandes festas, festas quase tão grandes como aquelas dos dias em que chove bem forte, mas mesmo assim pequenas quando comparadas às outras, as que acontecem sempre que cai do céu mais uma estrela em mil pedacinhos de luz incandescente.

Ouvi dizer que as ruas vão todas dar a uma grande praça e que a praça fica de frente para o mar e que, lá longe, o mundo tem um girar diferente. Então o sol nasce no mesmo sitio onde se pôe. E todas as semanas há um dia em que o sol se limita a não aparecer, como aqui acontece com a lua. Diz-se por lá que às vezes é preciso sentir falta, para dar valor...

Gostava de lá ir um destes dias. Hoje as portas já fecharam. Ouvi também dizer que o mundo acaba amanhã...

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Já deu

Em tons de amarelo, toca já quase velha canção, "Yellow", "look how they shine for...".

E já há lua e estrelas e céu. Ainda há um par de dias caía a chuva e as folhas com ela. Só algumas que as outras lá ficaram penduradas qual guarda chuva gigante...

Na rotunda larga os carros continuam a passar como se nada fosse, passavam há uns anos também, enquanto lá longe em Srebrenica as valas iam ficando um pouco mais cheias de corpos sem gente dentro.

Acabou de nascer uma violeta plantada numa terrina...