E nos domingos em que pouco havia para fazer, quando longe de corpo, demoravam-se horas por detrás de uma linha e dois telefones. Quando perto, a história era sempre a mesma. Mas havia café quente, sorrisos...
domingo, 31 de agosto de 2008
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Chaga:
do Lat. plaga
s. f.,
ferida aberta;
úlcera;
incisão na casca das árvores;
fig.,
desgraça;
mal;
coisa que faz pena;
fam.,
pessoa importuna, desajeitada;
Bot.,
(no pl. ) planta trepadeira tropeolácea ou a sua flor.
s. f.,
ferida aberta;
úlcera;
incisão na casca das árvores;
fig.,
desgraça;
mal;
coisa que faz pena;
fam.,
pessoa importuna, desajeitada;
Bot.,
(no pl. ) planta trepadeira tropeolácea ou a sua flor.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Lost in translation
Pois os objectos são só isso e o que se faz com eles cada qual há-de saber. Faca abre-latas, arame chave, caneta garfo, copo arma...
Tudo faz mais sentido assim. Ou quase.
Tudo faz mais sentido assim. Ou quase.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
#24
Lembro-me como se tivesse sido ontem, ou esta tarde até. Milhares de ingleses à minha volta... As tais bestas eram afinal pessoas mais que vulgares. Pessoas mais que vulgares que numa bola viam, talvez, um sonho. E as bestas cantavam e saltavam. E gritavam, e transpiravam fé e vontade. E eram. Naqueles poucos minutos eram uma outra coisa.
Noventa minutos, dois apitos e tudo voltou ao começo As vozes transformaram-se em corpos. Velhos e novos, homens e mulheres...
Muitos foram os jogos que vi depois desse, quilómetros de estádios, mas não mais voltei a sentir o calor como naquele dia. Tudo passou a saber a pouco quando antes sabia tão bem.
Noventa minutos, dois apitos e tudo voltou ao começo As vozes transformaram-se em corpos. Velhos e novos, homens e mulheres...
Muitos foram os jogos que vi depois desse, quilómetros de estádios, mas não mais voltei a sentir o calor como naquele dia. Tudo passou a saber a pouco quando antes sabia tão bem.
domingo, 24 de agosto de 2008
Planeta estrela
Cimo das escadas. Faz frio. Há estrelas. Há uma luz vermelha lá no alto e grilos que se fazem ouvir (a lua também se vê nos dias em que não se esconde por detrás das casas mal plantadas à volta.).
Passam aviões com mil e uma pessoas divididas entre latas. Três luzinhas por par de asas. Tão pequeninas lá em cima... E se por acaso um dia as luzinhas se apagarem enquanto lhes sigo o rasto?
É assim que acontece quando as estrelas caem (as estrelas não caem mas assim soa melhor, há até quem não acredite em meteoritos...). Um pontinho de luz aparece do nada, cai, cai, cai (ou flutua, ou vagueia, sei lá...) e pronto. Pedes um desejo e agora é so esperar que aconteça (tenta pedir que o sol apareça de manhã para ver se resulta mesmo...).
E o que são os anos para a pedra que deixou de o ser? Isto do tempo é tão relativo...
Entretanto as luzes continuam acesas lá em cima.
De manhã o sol dá-te um pouco de claridade e a história do desejo é mesmo verdadeira (para a próxima pede o fim da fome em Lisboa...). Acordas, vês a luz e vais à tua vida. Algures noutro lado do mundo mais três luzinhas chegam ao chão (explodirão agora?) e ali, ao pé de tua casa, há quem afunde a cabeça num caixote do lixo à procura do pequeno almoço (pão da noite anterior e doce de morango com validade de anteontem. Nada mau. Ontem só havia bananas.).
Três portas abertas. Três luzes apagadas. Três lanços de escadas. Mais um dia...
Pode ser que hoje seja diferente. Pode ser que a lua se pinte de roxo e as estrelas apareçam verdes. Pode ser que o mar cuspa os peixes e volte a nascer mais um salvador (tantos Jesus na América do Sul...). E se todas as máscaras fossem queimadas no meio da praça?
Pode ser que sim...
Ou então resta-nos ser daltónicos à força e sonhadores de olhos abertos...
Passam aviões com mil e uma pessoas divididas entre latas. Três luzinhas por par de asas. Tão pequeninas lá em cima... E se por acaso um dia as luzinhas se apagarem enquanto lhes sigo o rasto?
É assim que acontece quando as estrelas caem (as estrelas não caem mas assim soa melhor, há até quem não acredite em meteoritos...). Um pontinho de luz aparece do nada, cai, cai, cai (ou flutua, ou vagueia, sei lá...) e pronto. Pedes um desejo e agora é so esperar que aconteça (tenta pedir que o sol apareça de manhã para ver se resulta mesmo...).
E o que são os anos para a pedra que deixou de o ser? Isto do tempo é tão relativo...
Entretanto as luzes continuam acesas lá em cima.
De manhã o sol dá-te um pouco de claridade e a história do desejo é mesmo verdadeira (para a próxima pede o fim da fome em Lisboa...). Acordas, vês a luz e vais à tua vida. Algures noutro lado do mundo mais três luzinhas chegam ao chão (explodirão agora?) e ali, ao pé de tua casa, há quem afunde a cabeça num caixote do lixo à procura do pequeno almoço (pão da noite anterior e doce de morango com validade de anteontem. Nada mau. Ontem só havia bananas.).
Três portas abertas. Três luzes apagadas. Três lanços de escadas. Mais um dia...
Pode ser que hoje seja diferente. Pode ser que a lua se pinte de roxo e as estrelas apareçam verdes. Pode ser que o mar cuspa os peixes e volte a nascer mais um salvador (tantos Jesus na América do Sul...). E se todas as máscaras fossem queimadas no meio da praça?
Pode ser que sim...
Ou então resta-nos ser daltónicos à força e sonhadores de olhos abertos...
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Sinapse
Uma prisão nos olhos. Duas prisões. Quatro olhos. Grades fracas queimadas pelo arder de um cigarro que não há. Como putos de doze anos a fugir dos olhos -mais uma vez os olhos- pequenos das coisas não muito grandes que se nos vão atravessando à frente (e passando ao lado. e ficando para trás.)
O resto é rir enquanto se espreita pela fresta da porta mal fechada. Rir, partir e voltar quando menos se espera só para um abraço tonto e sem sentido aos olhos que servem só para olhar e não para ver.
Saltam as palavras com vida própria e a Força ganha outro sentido. Mais um par de sorrisos. Adeus? Não pode haver... Estamos sempre lá, sempre cá, sentados no muro de lugar que não existe. Lugar nosso, lugar nenhum, com vista para o que se quer ver.
O resto é rir enquanto se espreita pela fresta da porta mal fechada. Rir, partir e voltar quando menos se espera só para um abraço tonto e sem sentido aos olhos que servem só para olhar e não para ver.
Saltam as palavras com vida própria e a Força ganha outro sentido. Mais um par de sorrisos. Adeus? Não pode haver... Estamos sempre lá, sempre cá, sentados no muro de lugar que não existe. Lugar nosso, lugar nenhum, com vista para o que se quer ver.
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
Linha
"Mas é sempre a mesma história
Depois do primeiro assombro
Logo o corpo fica farto"
Depois do primeiro assombro
Logo o corpo fica farto"
Sérgio Godinho, Balada da Rita
sexta-feira, 15 de agosto de 2008
Haver
Como se tudo na vida fossem comboios movidos a vento...
Sem plano e sem vida. Sem hora nem rumo. Só a linha e o relógio de estação a marcar as horas no tic-tac do costume. O tic-tac que varia o ritmo consoante a pressa de quem corre e a serenidade de quem aguarda sem certeza nem medo.
É tão possível morrer debaixo de um relógio de estação. Deve ser pesado. Estás ali à espera e de repente caem-te as todas as horas em cima...
Mosquitos, árvores e chuva. Algodão doce também...
Mais uma rajada de vento e agora impera o avesso. O lugar nascido na rua sem gente. Porta pequena e a casa de sempre... A casa noutra cidade. Fotócopia surreal... Não muda sequer a mobilia, nem o caixote do lixo com o caroço de maçã apodrecido pelo esquecimento.
Dá para sorrir. Na rua dançam as bandeiras. É hora de partir outra vez.
Sem plano e sem vida. Sem hora nem rumo. Só a linha e o relógio de estação a marcar as horas no tic-tac do costume. O tic-tac que varia o ritmo consoante a pressa de quem corre e a serenidade de quem aguarda sem certeza nem medo.
É tão possível morrer debaixo de um relógio de estação. Deve ser pesado. Estás ali à espera e de repente caem-te as todas as horas em cima...
Mosquitos, árvores e chuva. Algodão doce também...
Mais uma rajada de vento e agora impera o avesso. O lugar nascido na rua sem gente. Porta pequena e a casa de sempre... A casa noutra cidade. Fotócopia surreal... Não muda sequer a mobilia, nem o caixote do lixo com o caroço de maçã apodrecido pelo esquecimento.
Dá para sorrir. Na rua dançam as bandeiras. É hora de partir outra vez.