segunda-feira, 1 de junho de 2009
sábado, 30 de maio de 2009
Manhã
"não sou luz da serra
nem sombra nem luz
nem sombra da noite
no alvor da madrugada
não sou coisa nem nada
talvez louco
o louco não tem número
o limite da soma é o vazio"
nem sombra nem luz
nem sombra da noite
no alvor da madrugada
não sou coisa nem nada
talvez louco
o louco não tem número
o limite da soma é o vazio"
Manel Cruz, "Canto dos Homens Conto"
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Hoje
Uma biblioteca enorme,
Espaço,
Calor,
Pouco mais de um euro, não tão pouco como dois cêntimos,
Frango,
Batatas,
Frango,
Arroz,
Relva,
Garrafas,
Frio,
Chuva,
O velho bar,
Corredor,
Chão,
Noite,
Fogo,
Papel,
Gritos,
Música,
Palavras,
Portas,
E todo o vazio que se esconde algures no meio do ar,
E uma cara, uma voz, uma mão, um sorriso, um par de olhos,
Longe.
Espaço,
Calor,
Pouco mais de um euro, não tão pouco como dois cêntimos,
Frango,
Batatas,
Frango,
Arroz,
Relva,
Garrafas,
Frio,
Chuva,
O velho bar,
Corredor,
Chão,
Noite,
Fogo,
Papel,
Gritos,
Música,
Palavras,
Portas,
E todo o vazio que se esconde algures no meio do ar,
E uma cara, uma voz, uma mão, um sorriso, um par de olhos,
Longe.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
domingo, 24 de maio de 2009
Estrada
Os milagres acontecem. Em dias estranhos. Em dias que depressa se transformam em noite e novamente em dia. Em noites em que as linguas se pintam de negro e deixa de haver longe. Em estradas onde carros se conduzem sem mãos e os postes têm o cuidado de se desviar.
dos Rinocerontes cor de mel
Preto e branco.
As fotografias velhas espalhadas pelas paredes agora meio amareladas pelo tempo mas que já foram brancas, cal. As teclas do piano abandonado a um canto. Uma televisão que até mostra imagens coloridas mas que podiam ser só como dantes.
Preto e branco, preto e branco, preto e branco.
Dois gatos, duas cores.
Dois cães, duas ruas, duas casas.
Os ratos são cinzentos. Alguns, pelo menos, que depois há os ratos brancos e os outros de mil e uma cores.
Ratos de mil e uma cores.
Isto vai tudo dos olhos de quem vê...
E se as teclas do piano fossem pintadas de verde e rosa?
O som seria igual que isto há sempre dois lados, o de quem suja as mãos para fazer as cordas cantar e o de quem se limita a fechar os olhos para as ouvir. O som seria sempre diferente, o som será sempre diferente, o som é sempre diferente para quem se senta a ouvir. O verde e rosa de quem toca subitamente descolora. O preto e branco ganham cor.
Mas isto são só analogias de cores, sons e pedacos de carne a bater na madeira.
As fotografias velhas espalhadas pelas paredes agora meio amareladas pelo tempo mas que já foram brancas, cal. As teclas do piano abandonado a um canto. Uma televisão que até mostra imagens coloridas mas que podiam ser só como dantes.
Preto e branco, preto e branco, preto e branco.
Dois gatos, duas cores.
Dois cães, duas ruas, duas casas.
Os ratos são cinzentos. Alguns, pelo menos, que depois há os ratos brancos e os outros de mil e uma cores.
Ratos de mil e uma cores.
Isto vai tudo dos olhos de quem vê...
E se as teclas do piano fossem pintadas de verde e rosa?
O som seria igual que isto há sempre dois lados, o de quem suja as mãos para fazer as cordas cantar e o de quem se limita a fechar os olhos para as ouvir. O som seria sempre diferente, o som será sempre diferente, o som é sempre diferente para quem se senta a ouvir. O verde e rosa de quem toca subitamente descolora. O preto e branco ganham cor.
Mas isto são só analogias de cores, sons e pedacos de carne a bater na madeira.