sexta-feira, 19 de outubro de 2007
Casa(s)
Estão as paredes e as pedras, os pilares, as mesas e o resto da mobilia. Está o chão e o tecto, está a porta ao fundo, o canto escondido, está tudo, mas a casa está vazia de gente apesar de por lá vaguearem algumas almas.
Paro um pouco para pensar enquanto fecho os olhos e converso em surdina com os fantasmas que vão aparecendo para me cumprmentar. Vão entrando, tantos, tantos. Trazem sorrisos e canções, trazem alegria no olhar mas não são mais que imagens da mente, fantasmas numa casa deserta.
As casas não são feitas de paredes mas sim de pessoas.
Paro um pouco para pensar enquanto fecho os olhos e converso em surdina com os fantasmas que vão aparecendo para me cumprmentar. Vão entrando, tantos, tantos. Trazem sorrisos e canções, trazem alegria no olhar mas não são mais que imagens da mente, fantasmas numa casa deserta.
As casas não são feitas de paredes mas sim de pessoas.
terça-feira, 16 de outubro de 2007
Horas
Gostava de poder voar nos dias em que o ar parece leve e se ouvem sons ao longe. Gostava de poder partir em dias que são noites. Gostava que os comboios não tivessem horários nem linhas pré-definidas. Gostava de ter estado. Vou estar, não ontem mas um dia.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Birkenau
O mundo não pára e enquanto anda muitos gostavam que voltasse atrás. Atrás pensam uns, agora dirão outros. Imagens que despertam a mente. Nunca mais? E hoje, noutra qualquer parte do mundo, não se passa o mesmo?
E depois há quem se queixe por acordar cedo e grite bem alto que a vida é fodida. Pois...
E depois há quem se queixe por acordar cedo e grite bem alto que a vida é fodida. Pois...
sábado, 13 de outubro de 2007
Pedras
Pego no tempo, meto-o na palma da mão e olho bem para ele. Espero, espero a ver se foge. Espero, mas não foge, nem corre, nem tão pouco dá sinal de lá estar. Atiro-o ao ar a ver se desperta. Abano-o, amasso-o. Não se mexe. Não reage. Terá morrido? O tempo morto na minha mão e as pedras ali à frente da espécie de praça que é mais um largo por ser algo pequeno demais mas que eu teimo em chamar praça.
E depois os passos de sempre mais o caminho do costume como que a matar a rotina dos dias vulgares nos dias estranhos em que posso olhar para a palma da mão e apreciar as feições do morto por entre palavras e mundos daqui e de outro qualquer lado.
Há pedras no chão, há pedras à beira-mar, há muitas perdas e pedras para encontrar.
E depois os passos de sempre mais o caminho do costume como que a matar a rotina dos dias vulgares nos dias estranhos em que posso olhar para a palma da mão e apreciar as feições do morto por entre palavras e mundos daqui e de outro qualquer lado.
Há pedras no chão, há pedras à beira-mar, há muitas perdas e pedras para encontrar.
E se...
E se as nuvens fossem de algodão doce e só fosse preciso atirar um qualquer pau ao ar para poder saborear um pouco delas? E se lhes pudessemos atar um pouco de fio para trazer uma sempre atrás? E se um chuveiro fosse nada mais que uma nuvem pequena? E se as pontes fossem todas de madeira para estarem sempre em manutenção e não darmos por adquirido o facto de haver ali algo para atravessar o rio? E se as vacas ganhassem asas de papel e pudessem voar em direcção ao sul porque não queriam encontrar o norte? E se isto tudo pudesse existir em quem não é capaz de olhar para lá do que vê?
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Não existes!
Lá voltaste a puxar para ti o lençol
Como que a privar meus sonhos do último raio de sol
Amigos são sobras do tempo
Que enrolam seu tempo á espera de ver
O que não existe acontecer
Mas teimas em riscar o fim do meu chão
Nunca medes a distância
Dos passos á razão
Meus votos são claros na forma
Desejo-te o mesmo que guardo p'ra mim
E o que não existe não tem fim
É só dizer e volto a mergulhar
Voltar a ler não é morrer é procurar
Não vai doer mais do que andar assim a fugir
Deixa-te entrar para tentar ou destruir
Mas quem te ouviu falar
Pensou tudo vai bem
Só que alguém vestiu a pele
Que nunca serve a ninguém
E a dúvida está do meu lado
Mas eu não consigo olhá-la e achar
Ser esse o lado em que ela deve estar
Erguemos um grande castelo
Mas não nos lembramos bem para quê
E é essa a verdade que se vê
É só dizer e volto a mergulhar
Voltar a ler não é morrer é procurar
Não vai doer mais do que andar assim a fugir
Deixa-te entrar para tentar ou destruir
Mas sem fingir
Sem fingir
Sem desistir
Como que a privar meus sonhos do último raio de sol
Amigos são sobras do tempo
Que enrolam seu tempo á espera de ver
O que não existe acontecer
Mas teimas em riscar o fim do meu chão
Nunca medes a distância
Dos passos á razão
Meus votos são claros na forma
Desejo-te o mesmo que guardo p'ra mim
E o que não existe não tem fim
É só dizer e volto a mergulhar
Voltar a ler não é morrer é procurar
Não vai doer mais do que andar assim a fugir
Deixa-te entrar para tentar ou destruir
Mas quem te ouviu falar
Pensou tudo vai bem
Só que alguém vestiu a pele
Que nunca serve a ninguém
E a dúvida está do meu lado
Mas eu não consigo olhá-la e achar
Ser esse o lado em que ela deve estar
Erguemos um grande castelo
Mas não nos lembramos bem para quê
E é essa a verdade que se vê
É só dizer e volto a mergulhar
Voltar a ler não é morrer é procurar
Não vai doer mais do que andar assim a fugir
Deixa-te entrar para tentar ou destruir
Mas sem fingir
Sem fingir
Sem desistir
Manel Cruz, Amigos de quem
