quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Pensar...

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

Fernando Pessoa

terça-feira, 23 de outubro de 2007

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pffff.....

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

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(no fundo, no fundo, muitas vezes era isto que queria. Silêncio no fundo do tempo...)

domingo, 21 de outubro de 2007

Pegadas

Fins de tarde e principios de manhã, sitios diferentes, gentes diferentes, mundos diferentes, tempos diferentes e o resto. Qual resto? Esta coisa do resto que tanta confusão me faz. Duas ou três camadas abaixo lá está a tal coisa, o tal resto qual espécie de miolo escondido mas quase tão igual.

Os actos e as palavras mais os gestos e os sentimentos e os medos e tudo isto somado à pressa numa conta de resultado estranho. As canções também por lá andam, mais as notas e as emoções e tudo o mais que possam levar atrás.

E no fundo, no fundo, sinto que já nem sei bem o que digo ou do que falo, sei que sim. É tudo o que sei.

Vidro

Como um vidro imenso, a distância que separa e faz doer. Meia duzia de metros ou mais alguns quilómetros, sempre tão perto e tão longe ao mesmo tempo. E depois olhar para dentro do aquário gigante e ver os peixes e ter vontade de lhes tocar e não ser possível passar do vidro. O vidro, o tal vidro que marca a distância mesmo que aparentemente ela não exista.

O ali já aqui, a incompreensão nas caras de quem não entende o que é viver numa espécie de trapézio sempre a balançar de um lado para outro, de um mundo para outro, mas de balanço em balanço perde-se sempre um pouco de algo no ar. Um pouco de tudo em todo o lado, sempre um pouco, raras são as vezes em que posso ser um eu só. O estar, sem estar a pensar noutra qualquer coisa.

Vou vendo o mundo, outros mundos, cá de cima enquanto aprecio a paisagem, sei que sei o que quero e como quero, sei o mundo onde o quero. Sei tudo isto, agora basta ir. Como?

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Mais um que chega, vejo a cara, olho os olhos, meço as formas e conto uma história. Centenas de vidas as passar por mim, felizes, infelizes, nada disso ou talvez tudo ao mesmo tempo.

Porque...

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.
Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.

Sophia de Mello Breyner Andresen

...

"Lá em baixo ainda anda gente
apesar de ser tão tarde
há quem cresça no escuro
e do dia se resguarde
há quem corra sem ter braços
para os braços que os aceitam
e seus braços juntos crescem
e entrelaçados se deitam
e a manhã traz outros braços
também juntos de outra forma
de quem luta e ao lutar
a si mesmo se transforma

E tu Maria diz-me onde andas tu
qual de nós faltou hoje ao rendez-vous
qual de nós viu a noite
até ser já quase de dia
é tarde, Maria
toda a gente passou horas
em que andou desencontrado
como à espera do comboio
na paragem do autocarro"

Sérgio Godinho, Lá em baixo

Girar, girar, girar...

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Facto

O mar é muito mais que milhões de gotas de água, sais e lixo.